
Recente uma amiga me perguntou "Como é esse negócio de se amar?" A pergunta também podia ser outras. Para que se amar? Ou ainda, por que diabos as pessoas falam tanto desse negócio de se gostar? Não é melhor comer um chocolate?
Ora, além da razão óbvia de que quem se ama, vive mais feliz por gostar da única pessoa que lhe acompanhará para o resto da vida – e até depois dela - outro bom motivo para gostar de si é poder ter uma mínima chance de um dia amar e ser amada, de verdade, por alguém. Acredite. Não tem como amar o outro sem se amar, da mesma forma que não há como se dizer isso sem parecer o Roberto Shinyashiki .
Esse assunto me cercou nos últimos tempos. Fui bombardeada por um monte histórias de mulheres que não se gostam. (Será outro sinal?) Eu as resumo assim. Não é gentil, mas é verdade. A maioria é amiga que eu amo, mas que é verdade é mesmo.
Recente, minha amiga que aqui chamaremos de Seqüelada me contou de uma amiga dela, que aqui chamaremos de “Santa Paciência”. A criatura foi assaltada no Rio de Janeiro e o marginalzinho levou a chave do apartamento. Com medo de ir para casa, ligou para o amado, aqui denominado de Brucutu, com quem travou o seguinte diálogo :
Santa Paciência: Onde você ta?
Brucutu: Tô indo para o Maracá
Santa Paciência: Maracá? Como assim? Nem me contou. Fui assaltada, levaram a chave da minha casa to com medo de ir para casa.
Brucutu: Ah, eu vou ver meu jogo. Vai se fuder e tomar no cú.
Se o diálogo foi exatamente assim eu não posso afirmar, mas o “vai se fuder e tomar no cú” tava lá...Dias depois, ela decidiu terminar o namoro. Não porque ele a mandou ir se fuder e tomar no cú, (afinal, isso lá é motivo para se terminar alguma coisa?), mas porque ela vai para a Europa ano que vem. O que ele fez? Chorou.
- Não vou agüentar te ver ficando com outros caras.
E o que ela fez???????????????
Terminou? Não!
Quando a Seqüelada me contou essa história me recordo bem da acidez que senti no estômago. A raiva me subindo pelas veias. Quase fiz a manicure borrar o esmalte. É isso aí, a gente tava no salão.
- COMO ASSIM. O CARA DISSE NA LATA “VAI SE FUDER E TOMAR NO CU, NÃO TÔ NEM AI SE VOCÊ FOR ESTUPRADA E MORTA NO TEU APARTAMENTO. EU NÃO GOSTO DE VOCÊ TANTO ASSIM PARA IR TE APOIAR E PERDER O MEU FOGÃO JOGANDO” e mesmo assim ela ficou preocupada com os sentimentos dele depois?
Alguém precisa dá um sumiço nesse sujeito. Se ele resolver escrever um livro “Como mandar sua namorada se fuder e tomar no cú e continuar comendo ela” todas as mulheres do mundo estarão perdidas.
Esse é apenas um exemplo de um arsenal de histórias que tenho de mulheres que não se gostam e, por tabela, não tem como realmente gostar de alguém.
Quero esclarecer. A Santa Paciência tens 20 e poucos anos e é bem bonita. Conversei apenas uma vez com ela. Ou melhor, a ouvi conversando. Constatei que é inteligente também. Pow, é jornalista em via de se formar. Tem currículo a menina. Uma penca de homens – e falo isso com a imparcialidade de quem não é amiga dela – a idolatraria. Ainda assim ela prefere o Brucutu.
Mas por que meu Deus? Ora, pela mesmíssima razão que muitas outras mulheres bem menos bonitas e/ou quase nada inteligentes também se deixam ser pisadas pelos brucutus de plantão: porque de fato elas não se amam e no fundo acreditam que se esses carinhas não as amam, ninguém jamais irá amá-las. Realmente crêem nisso. Podem até discursar o contrário, podem até dizer que acham o contrário, mas de noite antes de dormir elas põem a cabeça no travesseiro e a si mesmo no banco dos réus.
A Santa Paciência não pediu minha opinião, mas se pedisse eu diria a ela:



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